quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Foto:
Grzegorz Brzezicki



BALAIO PORRETA 1986
n° 2847
Natal, 19 de novembro de 2009

Esse espanto cansado, espalhado pela minha pele.
(Renata NASSIF, in Fênix em Verso e Prosa)


POEMA
Martha Galrão
[ in Maria Muadiê ]

Eu gosto mesmo é de usar vestidos
e saias.
As palavras me fascinam
por isso brinco com o fogo
das palavras.

Daquela tarde eu lembro
que mordi sem querer
minha boca
e das mãos em brasa.

Nossas mãos,
em silêncio,
criando segredos
e intimidade.


PAIXÃO E POEMA
Flávio Corrêa de Mello
[ in Rio Movediço ]

O poeta apaixonado
dedica versos e livros
para mulheres que comovem
e movem na impossibilidade
da matéria e no reverso
do espelho o beijo
tem cores para cores
e superfícies para desníveis.
É um ser em profunda
profusão dos amores mortos
e não ama e incompreendido
confunde e co-funde
imagens e mistura a sintaxe
e vagueia na ortografia
e deixa espólio
fugaz e rápido
de poesia mal
capturada.



GIRASSÓIS
Lou Vilela
[ in Nudez Poética ]

Corpos paredes lençóis
permissivos.
Sibilam bocas
provocam olhos ouvidos

: pontos encontros de peles pelos
partes intumescidas.

Tudo cala.

A brisa sopra horas vencidas.
Florescência.
O dia amanhece em paz.


NEM TRÁGICO
Iara Maria Carvalho
[ in Mulher na Janela ]

o menino sem circo
cercou de oferendas
a sua infância encardida
e projetou-se no oceano
dentro de uma garrafa velha.

do outro lado do mundo,
alguém há de bebê-lo

rindo.

MARACANÃ

Há certas vitórias que são docemente santas.
Há certas vitórias que são maravilhosamente épicas.


EXPRESSÕES NORDESTINAS
registradas por Fred Navarro
em seu Dicionário do Nordeste

Agora deu! : "Essa não!, não me diga isso!"
Baixa da égua : Lugar muito longe.
Cu-de-boi : Briga, confusão.
Donzela-de-candeeiro : Mulher que se pretende passar por virgem,
já sendo descabaçada.
Falar mais do que o homem-da-cobra : Falar demais,
não parar de falar um minuto.
Farinha azeda / farinha ruim: Pessoa de passado duvidoso
ou questionável.
Farol de jipe : Sujeito com olhos esbugalhados.
Lombriga de cu de pobre : Magro demais.
Mulher-por-conta : Amante.
Pisar em rastro de corno : Levar o maior azar, se ferrar na vida.
Rabo-de-galo : Facão, faca muito grande.
Secar as canelas : Andar muito.
Segundo-distrito : Ânus.
Valente que só cobra de resguardo : Valentão, cabra macho.

10 comentários:

Assis Freitas disse...

Maracanã, Maracanã, Maracanã.

Lou Vilela disse...

Meu caro,

Obrigada por plantares as minhas sementes em tão produtivo jardim. ;)

Beijos

nina rizzi disse...

aiai. essa imagem dá a mesma nostalgia que senti ao assistir o "cartola", uma vontade de sair correndo pra capturar, em versos, o amor...

porretético isso. nda de patético (a nao ser eu aqui "como tu é boba" lendo): porreta, poético, estético e apoteoótico.. rsrsrs...

e vou nessa que já tou falando mais que o homem da cobra (essa expressão eu já conhecia de sp, muitíssimo usada lá).

um beijo, um cheiro.

Iara na Janela disse...

eita coisa boa me jogar dentro de uma garrfa velha nesse balaio... por isso não pisei em rastro de corno...mulher de sorte que sou...

xeros embalaiados...

Marcelo Novaes disse...

Moa,


As expressão nordestinas são afiadíssimas.



Iara desfi(l)a belezas absurdas. Lou faz nascer o dia.






Abração,






Marcelo.

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

Viva o FLU e o Maraca!

Poemas que destaco: Lou e Iara Maria carvalho. DEMAIS!

Continuo copiando o dicionário!

Aos outros poetas meus aplausos!

Beijos

Mirse

Maria Muadiê disse...

Moa, obrigadíssimo. Fico muito feliz de estar no meio de tanta gente boa.
beijos
Martha

Bar de Ferreirinha 50 anos, desde 1959 disse...

FLU botou pra fuder.Pituleira.

líria porto disse...

tardei, só agora vou ler o balaio - comecei de baixo pra cima!
besos

Dilberto L. Rosa disse...

Destaco o genial "Nem Trágico"... E essas expressões nordestinas são sempre gostosa de conhecer e relembrar!

Parece que teu Flu não vai mesmo cair, né? 'Meno male'...

Abraço!